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sexta-feira, outubro 10, 2025

Lembranças do Poeta

O tempo me visita, silencioso,
Senta-se comigo na varanda da vida.
Não fala — apenas observa, paciente,
Enquanto eu tento escrever o que ele sente.

Traz consigo o cheiro do ontem,
O eco de risos que já se perderam,
E as pegadas que a chuva apagou,
Mas que o coração insiste em lembrar.

Diz-me o tempo, em voz de vento:

“Não temas o que parte,
pois o que é teu, permanece no sopro da lembrança.”

E assim sigo, amigo do tempo,
Aprendendo com seus silêncios,
Que poesia é o instante
Em que o efêmero toca o eterno.

terça-feira, outubro 07, 2025

Teu Olhar

É no espelho d'alma, onde a luz repousa,
Que o teu olhar, quieto, a vida me revela.
Não é de fala alta, nem de frase ousada,
Mas um silêncio azul que me incendeia a vela.

Como a maré que volta e toca a areia fria,
Trazendo o sal do vasto e o segredo do mar,
Teus olhos me visitam, finda a ventania,
E fazem o meu caos, por um instante, parar.

Não sei de que matéria és feito, nem a cor exata,
Se é de mel que escorre ou noite de veludo,
Só sei que nele o tempo se curva e se desata,
E o que era simples vira o meu mundo tudo.

É a âncora invisível no porto dos meus dias,
O mapa que perdi e, enfim, voltei a achar.
Em tua órbita navegam as minhas fantasias,
Porque a poesia inteira mora em Teu Olhar.

sábado, setembro 27, 2025

Te Sondo

Ó Luz que me acendes onde jaz a sombra,
E que aos ouvidos minha Poesia entoa,
Tu, distante, que minha vista assombra
Com a beleza que em teu semblante boia.

​Desde longe, os olhos em teu vulto fitos,
Como o Luciérnaga no negror da noite,
Vislumbro os teus traços, não mais contritos,
E a inspiração me veste qual veste que a coite.

​Te sondo, alma pura, em tua essência rara,
Com ardor que o tempo jamais há de extinguir;
És a Estrela na névoa, a claridade clara,
O Verso que vive para sempre florir.

​Do Coração aflito te sonda a saudade,
Em busca do Éter que a tua graça exala;
Pois me deste a Lume à vasta escuridade,
E em ti só reside a Verdade que me embala.

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